JOSIAS DE SOUZA,
é um dos maiores
jornalista político do país
Nada é certo para Dilma Rousseff, a não ser os panelaços que soam quando
ela aparece em rede nacional de tevê. Neste 7 de Setembro, autoexilada num
vídeo postado nas redes sociais, a presidente aproveitou para “refletir” sobre a
“preocupação de todos nós quanto ao presente e ao futuro do país”. Ela só não
consegue fazer uma reflexão sincera sobre o seu passado recente: “Se cometemos
erros, e isso é possível, vamos superá-los e seguir em frente.”
“As dificuldades e
os desafios resultam de um longo período em que o governo entendeu que deveria
gastar o que fosse preciso para garantir o emprego e a renda do trabalhador, a
continuidade dos investimentos e dos programas sociais. Agora, temos de
reavaliar todas essas medidas e reduzir as que devem ser reduzidas.”
Na véspera do 7 de Setembro de 2011, numa época em que ainda não sofria
de ‘panelaçofobia’,
Dilma discursou em rede nacional de rádio e tevê. Falou da crise como algo
distante: “O mundo enfrenta os desafios de uma grave crise econômica e cobra
respostas novas para seus problemas. Os países ricos se preparam para um longo
período de estagnação ou até de recessão.” E tranquilizou a nação: “A crise não
nos ameaça fortemente, porque o Brasil mudou para melhor''.
Os indicadores
atuais ajudam a explicar por que Dilma deixou de fazer sentido. O PIB recuou
1,9% no segundo trimestre de 2015. O Brasil deve fechar o ano com uma recessão
superior a 2%. Segundo as previsões do FMI, a economia mundial deve crescer no
mesmo período uma média de 3,3%. Berço da crise de 2008, os Estados Unidos
devem registrar crescimento de cerca de 2,5%. A China, que arrosta forte
desaceleração, crescerá acima de 6%.
A despeito das
evidências em contrário, Dilma continua dizendo coisas assim: “Nosso problemas
também vieram lá de fora. E ninguém que seja honesto pode negar isso. Está
visível que a situação, em muitas partes do mundo, voltou a se agravar,
atingindo agora os países emergentes [pode me chamar de Brasil!]. Países
importantes, parceiros do Brasil, tiveram seu crescimento reduzido e foram
atingidos pela crise internacional.”
No seu esforço
para demonstrar que a situação dos brasileiros não é tão desesperadora, Dilma
deu um jeito de enfiar em seu discurso um drama maior do que o econômico: “O
mundo, além disso, enfrenta tragédias de natureza humanitária, como mostra a
situação chocante dos refugiados que morrem nas praias europeias ao tentar
buscar refúgio da guerra.”
A presidente
agarrou-se à foto do momento: “A imagem do menino Aylan Kurdi, de apenas 3
anos, comoveu a todos nós e deixou um grande desafio para o mundo.” E
humanizou-se: “Nós, no Brasil, somos uma nação que foi formada por povos das
mais diversas origens, que aqui vivemos em paz. Mesmo em momentos de
dificuldades, de crise, como os que estamos passando, teremos os nossos braços
abertos para acolher os refugiados.” Além do movimento de braços, convém
providenciar a infraestrutura. Que o digam os haitianos!
No mais, resta
lamentar que Dilma não possa oferecer refúgio aos brasileiros naquele Brasil da
propaganda de sua campanha à reeleição. Nesse país dos videoclipes do
marqueteiro João Santana, uma inflação de 9,56% em 12 meses e um desemprego de
8,3% no segundo trimestre de 2015 eram coisas impensáveis. Um orçamento da
União com buraco de R$ 30,5 bilhões era algo inimaginável.
Nessa nação de
sonhos, “travessia” com “remédios amargos” e “medidas necessárias para botar a
casa em ordem” eram soluções para problemas inexistentes, criados pela mente
diabólica de uma oposição demofóbica.

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