quinta-feira, 10 de setembro de 2015

DILMA AINDA TEM DÚVIDA: “SE COMETEMOS ERROS...”




JOSIAS DE SOUZA,
é um dos maiores jornalista político do país


Nada é certo para Dilma Rousseff, a não ser os panelaços que soam quando ela aparece em rede nacional de tevê. Neste 7 de Setembro, autoexilada num vídeo postado nas redes sociais, a presidente aproveitou para “refletir” sobre a “preocupação de todos nós quanto ao presente e ao futuro do país”. Ela só não consegue fazer uma reflexão sincera sobre o seu passado recente: “Se cometemos erros, e isso é possível, vamos superá-los e seguir em frente.”

Incrível! Dilma ainda duvida da sua capacidade de errar. Não se deu conta de que, quando alguém começa a ter dúvidas sobre si mesmo, é porque já não há a menor dúvida. A essa altura, já nem adianta fazer um mea-culpa. É tarde demais. Dilma já se permite fazer sua autocrítica, só que a favor. Ao referir-se à gastança que retirou a economia dos trilhos, ela disse que exorbitou por uma boa causa:
“As dificuldades e os desafios resultam de um longo período em que o governo entendeu que deveria gastar o que fosse preciso para garantir o emprego e a renda do trabalhador, a continuidade dos investimentos e dos programas sociais. Agora, temos de reavaliar todas essas medidas e reduzir as que devem ser reduzidas.”
Na véspera do 7 de Setembro de 2011, numa época em que ainda não sofria de ‘panelaçofobia’, Dilma discursou em rede nacional de rádio e tevê. Falou da crise como algo distante: “O mundo enfrenta os desafios de uma grave crise econômica e cobra respostas novas para seus problemas. Os países ricos se preparam para um longo período de estagnação ou até de recessão.” E tranquilizou a nação: “A crise não nos ameaça fortemente, porque o Brasil mudou para melhor''.

Os indicadores atuais ajudam a explicar por que Dilma deixou de fazer sentido. O PIB recuou 1,9% no segundo trimestre de 2015. O Brasil deve fechar o ano com uma recessão superior a 2%. Segundo as previsões do FMI, a economia mundial deve crescer no mesmo período uma média de 3,3%. Berço da crise de 2008, os Estados Unidos devem registrar crescimento de cerca de 2,5%. A China, que arrosta forte desaceleração, crescerá acima de 6%.
A despeito das evidências em contrário, Dilma continua dizendo coisas assim: “Nosso problemas também vieram lá de fora. E ninguém que seja honesto pode negar isso. Está visível que a situação, em muitas partes do mundo, voltou a se agravar, atingindo agora os países emergentes [pode me chamar de Brasil!]. Países importantes, parceiros do Brasil, tiveram seu crescimento reduzido e foram atingidos pela crise internacional.”
No seu esforço para demonstrar que a situação dos brasileiros não é tão desesperadora, Dilma deu um jeito de enfiar em seu discurso um drama maior do que o econômico: “O mundo, além disso, enfrenta tragédias de natureza humanitária, como mostra a situação chocante dos refugiados que morrem nas praias europeias ao tentar buscar refúgio da guerra.”
A presidente agarrou-se à foto do momento: “A imagem do menino Aylan Kurdi, de apenas 3 anos, comoveu a todos nós e deixou um grande desafio para o mundo.” E humanizou-se: “Nós, no Brasil, somos uma nação que foi formada por povos das mais diversas origens, que aqui vivemos em paz. Mesmo em momentos de dificuldades, de crise, como os que estamos passando, teremos os nossos braços abertos para acolher os refugiados.” Além do movimento de braços, convém providenciar a infraestrutura. Que o digam os haitianos!
No mais, resta lamentar que Dilma não possa oferecer refúgio aos brasileiros naquele Brasil da propaganda de sua campanha à reeleição. Nesse país dos videoclipes do marqueteiro João Santana, uma inflação de 9,56% em 12 meses e um desemprego de 8,3% no segundo trimestre de 2015 eram coisas impensáveis. Um orçamento da União com buraco de R$ 30,5 bilhões era algo inimaginável.
Nessa nação de sonhos, “travessia” com “remédios amargos” e “medidas necessárias para botar a casa em ordem” eram soluções para problemas inexistentes, criados pela mente diabólica de uma oposição demofóbica.


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