História
ELIZABETH
II, RAINHA DO REINO UNIDO E DE QUINZE OUTROS ESTADOS INDEPENDENTES CONHECIDOS
COMO REINO DA COMUNIDADE DAS NAÇÕES E 53 ESTADOS MEMBROS DA COMMONWEATH, SUPERA
NESTE MÊS DE SETEMBRO (DIA 9) A RAINHA VITÓRIA, SUA TRISAVÓ, AO COMPLETAR QUASE
64 ANOS DE REINADO ININTERRUPTO.
A rainha Vitória
Isabel nasceu em Londres e foi
educada particularmente em casa. Seu pai ascendeu ao trono em 1936 como Jorge VI depois da abdicação do irmão Eduardo VIII, e ela passou a ser
a herderia
presuntiva da coroa. Isabel passou a assumir deveres públicos durante a Segunda Guerra Mundial, em que ela serviu no
Serviço Territorial Auxiliar. Ela se casou com o príncipe Filipe da Grécia e Dinamarca em 1947, com quem
teve quatro filhos: Carlos, Ana, André e Eduardo. Seu pai morreu em fevereiro
de 1952 e Isabel ascendeu ao trono aos 25 anos. Sua coroação ocorreu no ano seguinte
e foi a primeira a ser televisionada.
As muitas visitas e encontros
históricos de Isabel incluem uma visita oficial a República
da Irlanda, a primeira visita de um presidente irlandês ao Reino Unido e visitas
recíprocas com vários papas. Ela viu também grandes mudanças constitucionais,
como a devolução dos poderes aos estados constituintes do Reino Unido, a
patriação do Canadá e a descolonização da África. Isabel também reinou durante
várias guerras e conflitos envolvendo muitos de seus reinos.
Tempos de significância
pessoal incluem os nascimentos e casamentos de seus filhos e netos, a investidura do Príncipe de Gales e
a celebração de marcos como seus jubileus de Prata em 1977, Ouro em 2002 e Diamante em 2012. Momentos
de dificuldade incluem a morte de seu pai aos 56 anos, o assassinato de Louis Mountbatten,
tio do príncipe Filipe, o fim dos casamentos de seus filhos em 1992 (um ano que
ela mesma chamou de annus horribilis), a morte em 1997 de Diana, Princesa de Gales, ex-esposa de Carlos, e
as mortes de sua irmã e mãe em 2002. Isabel
ocasionalmente enfrentou movimentos republicanos e pesadas críticas a família real, porém o apoio a
monarquia e sua popularidade pessoal permanecem altos.
Isabel II é a mais velha monarca britânica de todos os
tempos. O recorde pertencia à rainha Vitória, que viveu 81 anos,
sete meses e 29 dias, vindo a falecer em 1901; um marco que a sua
trineta alcançou no dia 20 de dezembro de 2007. Em 9 de setembro de
2015 superará a sua trisavó, Vitória, no recorde do mais longo
reinado (63 anos e 217 dias) volta das 17.30, que Isabel II se tornará na
monarca há mais tempo em funções do Reino Unido batendo o recorde de 23 226
dias, 16 horas e 23 minutos.
Princesa
Isabel em 1929, aos três anos de idade.
Isabel foi a primeira filha do
príncipe Alberto, Duque de Iorque, e sua esposa Isabel Bowes-Lyon.
Seu pai era o segundo filho do rei Jorge V do Reino Unido e da rainha Maria de Teck.
Sua mãe era a filha mais nova do aristocrata escocês Claude Bowes-Lyon, 14.º Conde
de Strathmore e Kinghorne. Ela nasceu de uma cesariana às 2h40min do
dia 21 de
abrilde 1926 na casa de seu avô
materno em Mayfair, Londres. Foi
batizada em 29 de maio por Cosmo Lang,
o Arcebispo
de Iorque, na capela do Palácio
de Buckingham. Seus padrinhos foram o rei e a rainha, seu avô materno, seu
tio-bisavô paterno o príncipe Artur, Duque de Connaught e Strathearn,
sua tia paterna Maria, Princesa Real, e
sua tia materna Mary Elphinstone. Ela foi nomeada Isabel em homenagem a
mãe, Alexandra em homenagem a bisavó paterna, que havia morrido seis
meses antes, e Maria em homenagem a avó paterna. Sua família a chamava de
"Lilibet". Jorge V a adorava e as visitas de Isabel foram
creditadas pela imprensa e biógrafos como um dos fatores que ajudaram na sua
recuperação durante uma séria doença em 1929.
Sua única irmã, Margarida, nasceu quatro anos depois.
As duas princesas foram educadas em casa sob a supervisão de sua mãe e sua
governanta, Marion Crawford, casualmente conhecida como
"Crawfie". As aulas concentravam-se em história, línguas,
literatura e música. Para o desalento da família real, Crawford publicou
em 1950 uma biografia das infâncias de Isabel e Margarida chamada The
Little Princesses. O livro descreve a paixão de Isabel por cavalos e
cachorros, sua disposição metódica e sua atitude de responsabilidade. Outros
ecoaram tais observações: Winston Churchill descreveu
a princesa aos dois anos como "uma figura. Ela tem um ar de autoridade e
surpreendente reflexividade para uma criança". Sua prima Margaret
Rhodes a descreveu como "uma menina alegre, mas fundamentalmente sensível
e bem-comportada".
Princesa
Isabel em 1933, aos sete anos de idade, porPhilip
de László.
Durante o reinado de seu avô,
Isabel era a terceira na linha de sucessão ao trono depois de seu
tio Eduardo, Príncipe de Gales, e seu pai. Apesar de
seu nascimento ter gerado grande interesse público, não era esperado que ela se
tornasse rainha já que o Príncipe de Gales ainda era jovem e muitos presumiam
que ele se casaria e teria filhos. Jorge V morreu em 1936 e seu tio
ascendeu como Eduardo VIII, com ela ficando em segundo na linha de sucessão
depois do pai. Mais tarde no mesmo ano, Eduardo abdicou após seu proposto
casamento com Wallis Simpson ter causado uma
crise constitucional. Assim, o Duque de Iorque virou rei como Jorge VI e
Isabel virou herdeira
presuntiva. Se seus pais tivessem um filho, ela perderia sua posição como primeira
na sucessão já que seu irmão seria herdeiro aparente e
acima dela na linha.
Isabel recebeu aulas
particulares de história constitucional com Henry Marten, vice-reitor do Eton College,[17] também
aprendendo francês com
várias governantas francesas. Uma companhia de bandeirantismo, a
1º Companhia do Palácio de Buckingham, foi formada especialmente para que ela
pudesse se socializar com meninas de mesma idade. Ela mais tarde se
matriculou como Guarda Marinha.[18]
Seus pais viajaram pelos Estados Unidos e Canadá em 1939. Como em
1927, quanto viajaram pela Austrália e Nova Zelândia,
Isabel permaneceu em casa já que o rei achava que ela era muito pequena para
assumir funções públicas. Ela "pareceu chorosa" quando seus pais
partiram. Eles correspondiam-se regularmente,] e
Isabel e os pais realizaram o primeiro telefonema real transatlântico em 8 de
maio. O Reino
Unido entrou na Segunda Guerra Mundial em setembro de
1939. Durante a guerra, Londres foi alvo frequente de bombardeios aéreos e
muitas das crianças londrinas foram evacuadas. Lorde Douglas Hogg, 1.º Visconde
Hailsham, sugeriu que as duas princesas fossem evacuadas para o Canadá, porém
isso foi rejeitado pela rainha, que declarou: "As crianças não vão sem
mim. Eu não vou partir sem o Rei. E o Rei nunca partirá".[22] As
princesas Isabel e Margarida permaneceram no Castelo
de Balmoral, Escócia,
até o natal, indo então para a Casa Sandringham em Norfolk. De
fevereiro a maio de 1940 elas viveram na Pousada Real, Windsor,
até mudarem para o Castelo
de Windsor onde viveram pela maior parte dos próximos cinco anos.[24] As
princesas encenaram pantomimas nos natais para ajudar o Fundo de Lã da Rainha,
que comprava fios para tricotar roupas militares. Em 1940, Isabel, então com
quatorze anos, fez sua primeira transmissão de rádio durante a Children's
Hour da BBC, dirigindo-se a outras
crianças que haviam sido evacuadas das cidades.[26] Ela
afirmou:
|
“
|
Estamos tentando fazer tudo o que pudermos para ajudar os nossos
valentes marinheiros, soldados e aviadores, e também estamos tentando
suportar a nossa quota de perigo e tristeza da guerra. Sabemos, cada um de
nós, que no final tudo ficará bem.
|
”
|
Isabel
em abril de 1945 com uniforme do Serviço Territorial Auxiliar.
Em 1943, aos dezesseis anos de
idade, Isabel fez sua primeira aparição pública sozinha ao visitar os Grenadier Guards,
de que ela havia sido nomeada coronel no ano anterior. Enquanto seu
aniversário de dezoito anos aproximava-se, a lei foi alterada para que ela
pudesse atuar como uma de cinco Conselheiros de Estado caso seu pai ficasse
incapacitado ou estivesse no exterior, como durante sua visita a Itália em 1944. Ela se
juntou ao Serviço Territorial Auxiliar em fevereiro de 1945 como segunda
subalterna honorária com número de serviço 230873.[29] Ela
treinou como motorista e mecânica, sendo promovida a comandante júnior
honorária em julho.
Ao final da guerra, no Dia da Vitória na Europa, as princesas Isabel e
Margarida misturaram-se anonimamente com as multidões celebrando nas ruas de
Londres. Isabel mais tarde disse em uma rara entrevista que "Nós pedimos
aos meus pais se poderíamos sair e ver nós mesmas. Lembro-me que ficamos
aterrorizadas de sermos reconhecidas ... eu me lembro de várias pessoas
desconhecidas dando os braços e caminhando por Whitehall, todos nós varridos por
uma onda de felicidade e alívio".
Princesa
Isabel (esquerda) na varanda do Palácio de Buckingham com (esquerda para
direita) a rainha Isabel, o primeiro-ministro Winston Churchill, o rei Jorge VI
e a princesa Margarida em 8 de maio de 1945.
Planos para conter o
nacionalismo galês fazendo Isabel ter relações mais próximas ao País de Gales foram
traçados durante a guerra. Propostas, como nomeá-la Condestável do Castelo
de Caernarfon ou patrona da Urdd Gobaith Cymru (Liga da
Juventude Galesa), foram abandonadas por diversas razões, que incluíam temor de
associar a princesa com os objetores de consciência na Urdd. Políticos
galeses sugeriram fazê-la Princesa
de Gales em seu aniversário de dezoito anos. A ideia foi apoiada por
Herbert Morrison, Secretário de Estado para os Assuntos
Internos, porém foi rejeitada pelo rei por achar que o título pertencia apenas à
esposa do Príncipe de Gales e que ele sempre havia sido o herdeiro
aparente. Ela foi incluída no Gorsedd de Bardos galeses
na Eisteddfod Nacional do País de Gales em 1946.
A princesa Isabel foi para sua
primeira viagem internacional em 1947, acompanhando seus pais pelo sul da
África. Durante a viagem, em uma transmissão para todaComunidade Britânica no
seu aniversário de 21 anos, ela fez a seguinte promessa:
|
“
|
Eu declaro diante de vocês que toda minha vida, seja ela longa ou
curta, será dedicada ao seu serviço e ao serviço da nossa grande família
imperial, à qual todos nós pertencemos.[36]
|
”
|
Isabel conheceu seu futuro
marido, o príncipe Filipe da Grécia e Dinamarca, em 1934 e depois em
1937. Eles são primos de segundo grau através do rei Cristiano IX da Dinamarca e de terceiro grau
através da rainha Vitória. Depois de mais um encontro
em julho de 1939 no Real Colégio Naval de Dartmouth, Isabel – então com apenas
treze anos de idade – afirmou que havia se apaixonado por Filipe e eles
começaram a trocar cartas. Seu noivado foi anunciado oficialmente em 9 de
julho de 1947.
Filipe
e Isabel em 1950.
O casamento não ocorreu sem
controvérsias: Filipe não tinha nenhuma situação financeira, era estrangeiro
(apesar de cidadão britânico que havia servido na Marinha Realdurante a Segunda Guerra
Mundial) e tinha irmãs casadas com nobres alemães com ligações nazistas. Crawford escreveu que
"Alguns dos conselheiros do rei não o achavam bom o bastante para ela. Ele
era um príncipe sem casa ou reino. Alguns dos jornais tocaram músicas longas e
altas sobre as origens estrangeiras de Filipe". Algumas biografias
posteriores da mãe de Isabel relatam que ela inicialmente era contra a união,
até chamando Filipe de "O Huno".[42] Entretanto,
ela mais tarde contou ao biógrafo Tim Heald que o príncipe era "um
cavalheiro inglês".
Antes do casamento, Filipe
renunciou seus títulos gregos e dinamarqueses, converteu-se da ortodoxia
grega para o anglicanismo e
adotou o estilo de "Tenente Filipe Mountbatten", tomando o sobrenome
da família britânica de sua mãe.[44] Pouco
antes do casamento, ele foi criado Duque
de Edimburgo e recebeu o estilo de "Sua Alteza Real".
Isabel e Filipe se casaram
na Abadia
de Westminster em 20 de novembro de 1947. Eles receberam 2500 presentes vindos de
todo mundo. Já que o Reino Unido ainda não havia se recuperado totalmente
das devastações da guerra, Isabel pediu que cupons de racionamento comprassem o
material para seu vestido de noiva, que foi desenhado por Norman Hartnell.[47] No
pós-guerra, não era aceitável que os parentes alemães do duque, incluindo suas
três irmãs ainda vivas, fossem convidados para o casamento.[48]O Duque de Windsor, o
antigo rei Eduardo VIII, também não foi convidado.[49]
Isabel deu à luz seu primeiro
filho, príncipe Carlos, em 14 de novembro de 1948. Um mês depois, o rei
emitiu cartas-patente permitindo
que os filhos deles usassem o estilo e título de um príncipe ou princesa real,
que do contrário eles não teriam direito já que seu pai não era mais um
príncipe. A segunda criança, princesa Ana,
nasceu em 1950.
Depois do casamento o casal
alugou Windlesham Moor, perto do Castelo de Windsor, até 4 de julho de 1949, quando
passaram a residir na Casa Clarence em
Londres. Em vários momentos entre 1949 e 1951, Filipe foi colocado em serviço
na colônia
da coroa de Malta como oficial da
marinha britânica. Ele e Isabel viveram intermitentemente por meses no lugarejo
de Gwardamanġa, na Villa Guardamangia, a casa alugada do tio do duque Louis Mountbatten.
As crianças permanceram na Inglaterra.
Retrato
de coroação da rainha Isabel II e do príncipe Filipe.
A coroação de Isabel II.
A saúde de Jorge VI foi
piorando ao longo de 1951 e Isabel o representou em vários eventos públicos.
Seu secretário particular, Martin Charteris, carregou um rascunho de uma
declaração de ascensão na visita dela pelo Canadá e o encontro com o
presidente Harry
S. Truman em Washington, D.C. caso
o rei morresse durante a viagem. No início de 1952, Isabel e Filipe
partiram em uma viagem pela Austrália e Nova Zelândia, no caminho parando
no Quênia.
Em 6 de
fevereiro, quando o casal voltou para sua casa queniana depois de passarem a
noite no Treetops Hotel, chegou a notícia da morte do rei. Filipe contou as
notícias à nova rainha. Charteris
perguntou qual nome régio ela gostaria de usar, com a rainha respondendo:
"Meu próprio, é claro – qual outro?". Ela foi proclamada rainha
por seus reinos e o séquito real voltou para o Reino Unido. Ela e o Duque
de Edimburgo mudaram-se para o Palácio de Buckingham.[57]
Com a ascensão de Isabel,
parecia provável que a casa real passaria a ter o
nome de seu marido, transformando-se na "Casa de Mountbatten",
seguindo a tradição da esposa assumindo o sobrenome do marido após o casamento.
O primeiro-ministro Winston Churchill e a rainha Maria de Teck eram a favor de
manter a Casa de
Windsor, assim em 9 de abril de 1952 Isabel publicou uma declaração dizendo que
"Windsor" continuaria a ser o nome da casa. Filipe reclamou,
"Sou o único homem no país que não pode dar seu nome aos próprios
filhos". Em
1960, depois da morte de Maria em 1953 e a renúncia de Churchill em 1955, o
sobrenome "Mountbatten-Windsor"
foi adotado para os descendentes de linhagem masculina de Filipe e Isabel que
não possuem títulos reais.
Durante as preparações para a
coroação, a princesa Margarida contou a irmã que desejava se casar com Peter Townsend, um divorciado,
dezesseis anos mais velho e com dois filhos do casamento anterior. Isabel pediu
para que eles esperassem por um ano; nas palavras de Charteris: "a rainha
era naturalmente simpática com a princesa, mas acho que ela pensou – ela
esperava – que com tempo o caso iria esgotar-se". Os principais
políticos eram contra a união e a Igreja Anglicana não
permitia novos casamentos depois de um divórcio. Se Margarida casasse no civil,
ela renunciaria seus direitos na sucessão. Eventualmente ela decidiu
abandonar os planos com Townsend. A princesa se casou com Antony Armstrong-Jones em 1960,
criado Conde de
Snowdon no ano seguinte. Eles divorciaram-se em 1978 e Margarida não se
casou mais.
A coroação ocorreu normalmente
como planejado no dia 2 de junho de 1953 apesar da morte de
Maria de Teck em 24 de março, como ela havia pedido antes de morrer. A
cerimônia aconteceu na Abadia
de Westminster e foi televisionada pela primeira vez, com exceção da parte
da unção e da comunhão. Seu vestido de
coroação foi desenhado por Norman Hartnell e, seguindo suas instruções, bordado
com os emblemas florais dos países da Commonwealth: a Rosa de Tudor inglesa,
o cardo escocês, o alho-porro galês, o trevo irlandês, a acacia australiana, a
folha de bordo canadense, a samambaia prateada neozelandesa, a protea sul-africana,
a flor-de-lótus pela
Índia e Ceilão e o trigo, algodão e juta paquistaneses.
Isabel
com os líderes da Commonwealth em 1960.
Durante sua vida, Isabel
testemunhou a contínua transformação do Império
Britânico na Commonwealth
de Nações. Na época de sua ascensão em 1952, seu papel como chefe de estado
de vários estados independentes já estava estabelecido.[69] A
rainha e o Duque de Edimburgo embarcaram em uma viagem de seis meses entre 1953
e 1954 ao redor do mundo. Ela se transformou na primeira monarca da Austrália e Nova Zelândia a
visitar essas nações. Durante as visitas, as multidões eram imensas;
estima-se que três quartos da população australiana da época foi
vê-la. Isabel realizou visitas oficiais a
vários países durante seu reinado, sendo a chefe de estado que mais viajou em
toda história.
Guy Mollet,
primeiro-ministro francês, e sir Anthony Eden,
primeiro-ministro britânico, discutiram em 1956 a possibilidade da França entrar na
Commonwealth. A proposta nunca foi aceita e no ano seguinte a França assinou
o Tratado de Roma, que estabelecia
a Comunidade Econômica Europeia,
precursora da União Europeia.[75] Os
dois países invadiram o Egito em novembro de
1956 em uma tentativa
mal sucedida de capturar o Canal de Suez.
Lorde Mountbatten afirmou que a rainha foi contra a invasão, algo que Eden
negou. Eden acabou renunciando dois meses depois.
A falta de um mecanismo formal
dentro do Partido Conservador para escolher um
líder significou que a rainha decidiria quem formaria um novo governo. Eden
recomendou que ela consultasse lorde Robert Gascoyne-Cecil, 5.º Marquês de
Salisbury e Lorde Presidente do Conselho. Lorde Salisbury e lorde David
Maxwell Fyfe, 1.º Visconde Kilmuir e Lorde Chanceler,
consultaram o gabinete britânico, Churchill e o
presidente da oposição, fazendo com que Isabel nomeasse sua escolha: Harold Macmillan.
A crise de Suez e a escolha do
sucessor de Eden em 1957 foram as primeiras críticas pessoais que a rainha
enfrentou. Lorde John Grigg, 2.º Barão Altrincham, a acusou de estar "fora
de sintonia" em uma revista que o próprio era dono e
editor. Altrincham foi denunciado por figuras públicas e fisicamente
atacado por um membro do povo indignado com seus comentários. Em 1963, seis
anos depois, Macmillan renunciou e aconselhou Isabel a nomear Alec Douglas-Home, Conde de
Home, como primeiro-ministro, algo que ela seguiu. A rainha foi criticada
novamente por nomear um primeiro-ministro seguindo o conselho de um pequeno
grupo de políticos ou de um único. Os conservadores adotoram um mecanismo
formal para eleição de um líder em 1965, aliviando assim o envolvimento de
Isabel.
Ela visitou os Estados Unidos
novamente em 1957, onde discursou para a Assembleia Geral das Nações Unidas em
nome da Commonwealth. Na mesma viagem, ela abriu o 23º parlamento canadense,
tornando-se a primeira monarca
do Canadá a abrir uma sessão parlamentar. Dois anos depois, apenas em sua
função de Rainha do Canadá, ela revisitou os Estados Unidos e o
Canadá, descobrindo ao desembarcar em St. John's, Terra
Nova e Labrador, que estava grávida de seu terceiro filho.] Isabel
viajou em 1961 pelo Chipre,
Índia, Paquistão, Nepal e Irã. Em uma visita a Gana no mesmo ano, ela
ignorou os temores por sua segurança, mesmo com seu anfitrião o
presidente Kwame
Nkrumah, que a havia substituído como chefe de estado, sendo alvo de
assassinos. Harold
Macmillan escreveu: "A rainha tem estado absolutamente determinada o
tempo todo ... Ela está impaciente em relação a atitude de tratá-la como ...
uma estrela de cinema ... Ela é realmente 'o coração e estômago do homem' ...
Ela ama seu dever e os meios para ser uma rainha". Antes de uma
viagem em 1964 por partes de Quebec, a imprensa relatou que
extremistas dentro do movimento pela independência de Quebec estavam
planejando seu assassinato. Nenhum atentado ocorreu, porém estourou um
tumulto enquanto Isabel estava em Montreal; foi salientada sua
"calma e coragem diante da violência". Isabel visitou o Brasil em 1968 durante
onze dias como parte um programa de integração econômica com a América Latina,
tendo sido recebida pelo presidente Artur da Costa e Silva e
discursado no Congresso Nacional.
Isabel
com o primeiro-ministro Edward Heath (esquerda), o presidenteRichard Nixon e
a primeira-dama Pat Nixon em
1970.
As gravidezes de Isabel em
1959 e 1963 dos príncipes André e Eduardo foram as únicas ocasiões
durante seu reinado que ela não realizou a cerimônia de abertura do parlamento. Além de realizar cerimônias
tradicionais, ela também criou novas práticas. Seu primeiro encontro com
membros ordinários do povo ocorreu durante uma visita a Austrália e Nova
Zelândia em 1970.
As décadas de 1960 e 1970
viram a descolonização da África e Caribe. Mais de vinte países
ganharam sua independência do Reino Unido como parte de uma transição planejada
para o governo autônomo. Porém em 1965, Ian Smith, primeiro-ministro
da Rodésia,
foi de encontro aos movimentos em direção a um governo majoritário e declarou
independência unilateral do Reino Unido enquanto ainda expressava sua
"lealdade e devoção" a Isabel. Apesar dela tê-lo dispensado em uma
declaração formal e a comunidade internacional ter aplicado sanções contra a
Rodésia, o regime de Smith sobreviveu por mais de uma década.
O primeiro-ministro Edward Heath aconselhou
a rainha em fevereiro de 1974 a convocar uma eleição geral no meio de sua
viagem pelo Círculo
do Pacífico Austronésio,
forçando sua volta para a Inglaterra.
A eleição resultou em um parlamento dividido; os conservadores de Heath não
eram a maioria, porém poderiam permanecer no poder se formassem uma coligação
com os liberais. Heath renunciou apenas
quando as discussões da coligação não chegaram em nenhum acordo, então Isabel
pediu para que Harold
Wilson, Líder da Oposição e
pertencente ao Partido Trabalhista, formasse um governo.
No ano seguinte, no auge
da crise constitucional australiana,
o primeiro-ministro Gough Whitlam foi
dispensado de seu cargo pelo governador-geral sir John Kerr, logo depois
do senado controlado
pela oposição ter rejeitado as propostas orçamentárias de Whitlam. Já que o
primeiro-ministro tinha a maioria na Câmara dos Representantes, o presidente da câmara
Gordon Scholes apelou para que a rainha revertesse a decisão de Kerr. Isabel se
recusou, afirmando que não interferiria em decisões que a Constituição da Austrália reserva ao
governador-geral. A crise alimentou o movimento republicano austrialiano.
Filipe
e Isabel com Elena e Nicolae Ceaușescu em 1978.
Isabel comemorou em 1977 o
Jubileu de Prata de sua ascensão. Festas e eventos ocorreram por toda
Commonwealth, muitos coincidindo com suas viagens pela Grã-Bretanha e seus
outros reinos. As celebrações reafirmaram a popularidade da rainha, apesar da
cobertura negativa praticamente coincidente da imprensa da separação da
princesa Margarida de seu marido. No ano seguinte, Isabel recebeu no Reino
Unido uma visita oficial do ditador comunista romeno Nicolae
Ceaușescu e sua esposaElena, apesar
de em particular ela acreditar que o casal tinha "sangue nas
mãos". 1979 veio com dois grandes golpes: o primeiro foi a descoberta
que Anthony
Blunt, ex-agrimensor real, era um espião comunista; o segundo foi o
assassinado de Louis Mountbatten pelo IRA.
De acordo com Paul Martin,
Sr., a rainha estava preocupada no final da década de 1970 que a coroa
"tinha pouco significado para" Pierre Trudeau, o primeiro-ministro do Canadá. Tony Benn afirmou que Isabel
considerava que Trudeau era "bastante decepcionante". Seu suposto
republicanismo parecia ser confirmado por suas palhaçadas, como escorregar
pelos corrimãos do Palácio de Buckigham e fazer piruetas atrás da rainha em
1977, além da remoção de vários símbolos reais canadenses durante seu mandato.
Os políticos canadenses enviados a Londres em 1980 para discutir patriação
da Constituição do Canadá descobriram que
Isabel estava "melhor informada ... que qualquer outro político ou
burocrata britânico". Ela estava particularmente interessada na falha do
Projeto de Lei C-60, que teria afetado seu papel como chefe de estado. A
patriação removeu o papel do parlamento britânico na constituição canadense,
porém a monarquia foi mantida. Trudeau disse em suas memórias que a rainha era
a favor de suas tentativas para reformar a constituição e que ficou
impressionado pela "graça que ela exibia em público" e "a
sabedoria que ela mostrou em particular".
Filipe, Nancy Reagan,
Isabel e Ronald Reagan em 1983.
Durante a cerimônia do Trooping
the Colour de 1981 e seis semanas antes do casamento de Carlos, Príncipe de Gales, e Diana Spencer, seis tiros foram
disparados em Isabel a curta distância enquanto ela cavalgava pelo The
Mall com seu cavalo Burmese. A polícia mais tarde descobriu que os
tiros eram de festim. Marcus Sarjeant, o atacante de dezessete anos, foi
sentenciado a cinco anos de prisão, porém foi solto depois de três.] A
compostura e habilidade da rainha ao controlar sua montaria foram muito
elogiadas. Entre abril e setembro de 1982, Isabel permaneceu
ansiosa e ao mesmo tempo orgulhosa] de
seu filho príncipe André, que estava servindo nas forças britânicas durante
a Guerra
das Malvinas. No dia 9 de julho, ela acordou em seu quarto no Palácio de Buckigham e
descobriu um intruso, Michael Fagan, no mesmo aposento. Permanecendo calma e
através de duas chamadas para a central de polícia do palácio, Isabel conversou
com Fagan enquanto ele sentava na beirada de sua cama até a ajuda chegar sete
minutos depois. Ela recebeu o presidente americano Ronald Reagan no
Castelo de Windsor em 1982 e visitou o Rancho del Cielo em 1983, porém ficou
brava quando sua administração não a informou sobre a invasão
de Granada, um de seus reinos caribenhos.
Isabel
cavalgando Burmese na Trooping the Colour de 1986.
O grande interesse da mídia
nas opiniões e vida particular da família real durante a década de 1980 levou a
uma série de histórias sensacionalistas na imprensa, das quais nem todas eram
inteiramente verdade.[110] Como
Kelvin MacKenzie, editor do The Sun, disse a sua equipe:
"Dê-me um respingo dos reais no domingo para segunda-feira. Não se
preocupem se não for verdade – contanto que não haja muito alarde sobre isso
depois". O editor Donald Trelford escreveu em 21 de setembro de 1986
no The
Observer que "A novela real chegou em tal nível de interesse público
que a fronteira entre fato e ficção perdeu-se de vista ... não é apenas que
alguns jornais não checam seus fatos ou aceitam negativas: eles não ligam se as
histórias são verdadeiras ou não". Foi relatado, mais notavelmente
pelo The
Sunday Times de 20 de julho, que Isabel estava preocupada que as políticas
econômicas da primeira-ministra Margaret Thatcher fomentavam
divisões sociais, além de estar alarmada com o elevado desemprego, uma série de
tumultos, a violência da greve de mineiros e as recusas de Thatcher de aplicar
sanções contra o regime apartheid da África do Sul.
As fontes dos rumores incluiam o ajudante real Michael Shea e Shridath Ramphal,
Secretário-Geral da Commonwealth, porém Shea afirmou que suas colocações foram
tiradas de contexto e embelezadas pela especulação. A primeira-ministra
supostamente disse que a rainha votaria pelo Partido Social Democrático – seus
oponentes políticos. John Campbell, biógrafo de Thatcher, afirmou que
"a reportagem era um pedaço de travessura
jornalística". Desmentindo os relatos de animosidade entre elas,
Thatcher mais tarde transmitiu sua admiração pessoal por Isabel e, depois
dela ter sido substituída como primeira-ministra por John Major, a
rainha entregou duas honras a Thatcher como presente pessoal: nomeações à Ordem de Mérito e à Ordem
da Jarreteira. O ex-primeiro-ministro canadense Brian Mulroney disse
que Isabel foi a "força de bastidores" para encerrar o apartheid na
África do Sul.[117] [118]
No Canadá em 1987, Isabel
pronunciou publicamente seu apoio ao controverso Acordo Meech Lake, provocando
críticas de oponentes das emendas constitucionais, incluindo Pierre
Trudeau. No mesmo ano, o governo eleito de Fiji foi deposto por um
golpe militar. Como monarca de Fiji, Isabel apoiou as tentativas do
governador-geral ratu sir Penaia Ganilau para
afirmar o poder executivo e negociar um acordo. Sitiveni Rabuka, líder do
golpe, depôs Ganilau e declarou o país como uma república. O sentimento
republicano cresceu no Reino Unido no início de 1991 por causa das estimativas
da imprensa sobre a fortuna da rainha – que foram contrariadas pelo palácio – e
relatos dos casos e problemas conjugais dentre os membros família real. O
envolvimento de alguns reais na programa The Grand Knockout Tournament foi
ridicularizado[121] e
Isabel virou alvo de sátiras.
Logo depois do fim da Guerra do Golfo em
1991, Isabel se tornou a primeira monarca britânica a discursar para uma sessão
conjunta do Congresso dos Estados Unidos.[123]
Filipe e Isabel em outubro de
1992.
Em um discurso no dia 24 de
novembro de 1992 para marcar os quarenta anos de sua ascensão, Isabel chamou
1992 de seu annus horribilis, significando "ano horrível".
Em março, seu segundo filho príncipe André, Duque de Iorque, se separou de sua
esposa Sara Ferguson; em abril, sua
filha Ana,
Princesa Real, divorciou-se de seu maridoMark Phillips; durante
uma visita oficial a Alemanha em outubro,
manifestantes em Dresden jogaram
ovos nela;[
e em novembro, um grande incêncio atingiu o Castelo de Windsor. A
monarquia passou a sofrer críticas cada vez maiores e escrutínio público. Isabel
afirmou em um discurso excepcionalmente pessoal que qualquer instituição deve
esperar críticas, porém sugeriu que isso fosse feito com "um toque de
humor, gentileza e compreensão". John
Major anunciou dois dias depois reformas nas finanças reais que estavam sendo
planejadas desde o ano anterior, incluindo que a rainha passasse a pagar imposto de renda pela
primeira vez em 1993 e uma redução de sua lista civil. Carlos, Príncipe de
Gales, e sua esposa Diana Spencer se separaram formalmente em dezembro. O ano
terminou com Isabel processando o The Sunpor violação de direitos autorais
quando o jornal publicou o texto de sua mensagem anual de Natal dois dias antes da
transmissão. A publicação foi forçada a pagar as despesas legais da rainha e
doar duzentas mil libras para a caridade.
As revelações públicas sobre
os detalhes do casamento de Carlos e Diana continuaram nos anos
seguintes. Mesmo com o apoio ao republicanismo estando no seu mais alto
nível em décadas, ele permaneceu um ponto de vista minoritário e Isabel manteve
altos índices de aprovação. As críticas eram centradas na própria
instituição da monarquia e na família real ao invés das próprias ações e
comportamentos da rainha. Depois de se consultar com Filipe, Major, o arcebispo George Carey e seu
secretário pessoal Robert Fellowes, Isabel escreveu a
Carlos e Diana em dezembro de 1995 dizendo que o divórcio era algo desejado.[134] Diana morreu em um acidende de carro em Paris no
dia 31 de
agosto de 1997, um ano depois do
divórcio. A rainha estava de férias com seu filho e netos no Castelo
de Balmoral. Guilherme e Henrique,
os filhos de Diana, queriam ir a igreja, então Isabel e Filipe os levaram
naquela manhã.[135] Depois
dessa única aparição pública, a rainha e o duque blindaram seus netos por cinco
dias do enorme interesse da imprensa, permanecendo em Balmoral onde poderiam
lamentar em particular.[136] O
povo britânico ficou consternado pela reclusão da família real e o fato que a
bandeira não foi hastiada a meio-mastro no Palácio de
Buckigham.[118] [137] Pressionada
pela reação hostil, Isabel concordou com uma transmissão ao vivo para o mundo
ao voltar para Londres em 5 de setembro, um dia antes do funeral de Diana. Na transmissão,
ela expressou admiração por Diana e seus sentimentos "como avó" pelos
príncipes Guilherme e Henrique. Grande parte da hostilidade pública
desapareceu.
Isabel
brinda com o presidente George W. Bushna Casa Branca em
7 de maio de 2007.
Isabel celebrou em 2002
seu Jubileu de Ouro.
Sua irmã e mãe morreram em
fevereiro e março respectivamente, com toda a imprensa especulando se o jubileu
seriam um sucesso ou fracasso. Ela
novamente realizou várias viagens por seus reinos, começando pela Jamaica em fevereiro, onde
chamou de "memorável" o banquete de despedida após uma queda de
energia na King's House, a residência
oficial do governador-geral. Como em 1977, houve
festas nas ruas, eventos comemorativos e monumentos nomeados em homenagem à
ocasião. Milhões de pessoas compareceram a cada um dos três dias principais de
celebração em Londres, com o entusiasmo demonstrado por Isabel sendo muito
maior que vários jornalistas haviam previsto.
Apesar de sempre ter gozado de
boa saúde, ela realizou uma laparoscopia nos
joelhos em 2003. Em outubro de 2006, Isabel não pôde comparecer a abertura
do Emirates
Stadiumpor causa de dores musculares nas costas que a estavam incomodando por
todo o verão.
O The Daily Telegraph reportou um maio
de 2007 a partir de fontes anônimas que Isabel estava "exasperada e
frustrada" pelas políticas do primeiro-ministro Tony Blair,
que ela demonstrou preocupação pelas Forças Armadas do Reino Unido sobrecarregadas
no Iraque e Afeganistão, e
que tinha levantado preocupações sobre questões rurais e do campo com Blair
repetidas vezes. Entretanto, a rainha afirmou que admirava os esforços do
primeiro-ministro para alcançar a paz na Irlanda do Norte.
Em 28 de março de 2008 naCatedral de São Patrício em Armagh,
Isabel compareceu ao primeiro serviço Maundy realizado fora da Inglaterra e do
País de Gales. A rainha fez a primeira visita oficial de um monarca
britânico a República
da Irlanda em maio de 2011, após um convite da presidente Mary McAleese.
Isabel
(centro) durante uma visita aoQueen's Park em Toronto, 6 de julho
de 2010.
Isabel discursou para as
Nações Unidas uma segunda vez em 2010, novamente em sua capacidade como rainha
dos reinos da Commonwealth e sua chefe.[149] Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, a apresentou como
"uma âncora para a nossa era". Durante sua visita a Nova Iorque,
que ocorreu depois de uma viagem pelo Canadá, ela oficialmente inaugurou um
jardim memorial para as vítimas britânicas dos ataques de 11 de setembro de 2001. A
visita da rainha a Austrália em outubro de 2011, sua 16º desde 1954, foi
chamada de "viagem de despedida" pela imprensa por causa de sua idade
avançada.
O Jubileu de Diamante de
Isabel em 2012 marcou os sessenta anos de suas ascensão ao trono real, com
celebrações ocorrendo por todos seus reinos, pela Commonwealth e além. Em
mensagem publicada no Dia da Ascensão, ela firmou: "Neste ano especial,
enquanto novamente me dedico ao seu serviço, espero que todos nos lembremos do
poder da união e da força de convocação da família, amigos e boa vizinhança ...
Também espero que este ano de Jubileu seja uma época para agradecer os grandes
avanços que foram feitos desde 1952 e para olhar ao futuro com a cabeça limpa e
coração caloroso". Ela e Filipe realizaram grandes viagens pelo Reino
Unido, enquanto seus filhos e netos embarcaram em viagens reais pelos países da
Commonwealth em seu nome.[153] [154] Faróis
do jubileu foram acesos pelo mundo em 4 de junho.
A rainha abriu as Olímpiadas de Verão de 2012 em 27 de julho e
as Paraolimpíadas em 29 de agosto em
Londres, tornando-se a primeira chefe de estado a abrir dois Jogos Olímpicos em
dois países diferentes (ela também abriu os Jogos de 1986 em
Montreal).
Para os jogos de Londres,
Isabel interpretou si mesma em um curta-metragem parte da cerimônia de abertura junto
com Daniel
Craig como James
Bond. Em 4 de abril de 2013, ela recebeu um prêmio BAFTA honorário por sua
patronagem à indústria do cinema, sendo chamada na cerimônia de "a mais
memorável Bond
girl até hoje".
Isabel se tornou em 18 de
dezembro de 2013 na primeira soberana britânica a comparecer a uma reunião de gabinete em tempos de paz
desde o rei Jorge III em 1781.
Isabel
em dezembro de 2012.
Isabel foi admitida no King
Edward VII's Hospital Sister Agnes em 3 de março de 2013 para a avaliação como
uma precaução depois de desenvolver sintomas degastroenterite.
Ela recebeu alta e voltou ao Palácio de Buckingham no dia seguinte. Por
causa de sua idade avançada e a necessidade de limitar suas viagens, a rainha
não compareceu ao bienal encontro dos chefes de governo da Commonwealth que
ocorreu em novembro de 2013 no Sri Lanka; foi a primeira vez
desde 1973 que ela não foi ao encontro. Isabel foi representada na reunião por
seu filho e herdeiro, Carlos.
Isabel é a monarca de maior
longevidade e a segunda de reinado mais longo na história do Reino Unido, atrás
apenas da rainha Vitória. É também depois do rei Bhumibol
Adulyadej da Tailândia a
chefe de estado há mais tempo no cargo. Ela não pretende abdicar, apesar
da proporção de deveres realizados pelo príncipe Carlos apenas aumente enquanto
Isabel diminui seus compromissos.
Durante o seu reinado já
conheceu 12 primeiro-ministros (3 dos quais nascidos durante o seu reinado).
Realizou 265 visitas oficiais
(a 116 países, entre eles Portugal, onde esteve pela primeira vez em 1957).
Já que isabel raramente
concede entrevistas, pouco se sabe sobre suas opiniões pessoais. Como monarca constitucional, ela não expressa suas
próprias opiniões políticas de maneira pública. A rainha tem um grande
sentimento de dever cívico e religioso e leva muito a sério seu juramento de
coroação. Além de seu papel religioso oficial como Governadora Suprema da estabelecida Igreja Anglicana,
ela pessoalmente cultua com aquela igreja e com a nacional Igreja
da Escócia. Isabel já demonstrou apoio a diálogos inter-religiosos com líderes de
outras igrejas e religiões, incluindo cinco papas: Pio XII, João
XXIII, João
Paulo II, Bento
XVI e Francisco.[168] Uma
nota pessoal sobre sua fé frequentemente aparece em suas transmissões anuais
da Mensagem Real de Natal para toda
Commonwealth, como em 2000, quando falou sobre a significância teológica
do milênio marcando
o 2000º aniversário do nascimento de Jesus Cristo:
|
“
|
Para muitos de nós, nossas crenças são de importância fundamental.
Para mim, os ensinamentos de Cristo e minha própria responsabilidade pessoal
diante de Deus fornecem uma estrutura em que tento levar a minha vida. Eu,
como muitos de vocês, alcancei grande conforto em tempos difíceis a partir das
palavras e exemplos de Cristo.
|
”
|
Isabel
cavalgando com Ronald Reagan em Windsor, 1982.
A rainha é patrona de mais de
seicentas organizações e instituições de caridade.
Seus principais interesses de
lazer incluem equitação e
cachorros, especialmente seuswelsh
corgis pembroke.] Seu
amor por corgis começou em 1933 com Dookie, o primeiro corgi pertencente a sua
família. Cenas de uma vida caseira relaxada e informal foram
ocasionalmente testemunhadas; Isabel e sua família costumam preparar de tempos
em tempos um almoço juntos.
Na década de 1950, como uma
jovem mulher no início de seu reinado, Isabel era representada como uma
glamurosa "rainha de conto de fadas". Depois dos traumas da
guerra, era uma época de esperanças, um período de progresso e realizações
anunciando uma "nova era Isabelina". A acusação de lorde John
Grigg, 2.º Barão Altrincham, que seus discursos soavam como os de uma
"pedante colegial" foi uma rara crítica. Tentativas foram feitas
no final da década de 1960 para retratar uma imagem mais moderna da monarquia
através do documentário televisivo Royal Family e a
transmissão da investidura de Carlos como Príncipe
de Gales.] Em
público, Isabel passou a usar sobretudos de cores sólidas e chapéus
decorativos, permitindo que seja vista facilmente em multidões.
Em seu Jubileu de Prata, as
multidões e celebrações estavam genuinamente entusiásticas, porém
cresceram na década de 1980 as críticas contra a família real enquanto as vidas
pessoais de Isabel e seus filhos passaram a ser escrutinadas pela mídia. Sua
popularidade chegou ao ponto mais baixo na década de 1990. Sob pressão da
opinião pública, a rainha passou a pagar imposto de renda pela primeira vez e o
Palácio de Buckingham foi aberto ao público. O descontento com a monarquia
alcançou seu auge com a morte de Diana Spencer, apesar da popularidade pessoal
de Isabel e o apoio a monarquia terem se recuperado depois da transmissão cinco
dias depois.
Um referendo feito em novembro
de 1999 na Austrália sobre o futuro da monarquia australiana foi a favor de sua
retenção ao invés de um chefe de estado eleito indiretamente. Enquetes no
Reino Unido em 2006 e 2007 revelaram grande apoio a Isabel, e referendos
em Tuvalu em 2008 e São Vicente e Granadinas em 2009 recusaram
propostas para tornarem-se repúblicas.
Isabel foi retratada durante
seu reinado em vários meios por muitos artistas notáveis, incluindo os
pintores Lucian
Freud, Peter
Blake, Juliet Pannett, Chinwe Chukwuogo-Roy, Terence Cuneo, Tai-Shan
Schierenberg e Pietro Annigoni. Fotógrafos notáveis da rainha incluem Cecil
Beaton, Yousuf
Karsh, Patrick Anson, 5.º Conde de Lichfield,
Terry O'Neil, Annie Leibovitz e
John Swannell. Seu primeiro retrato oficial foi tirado por Marcus Adams.
O
Castelo de Balmoral, residência particular de Isabel na Escócia.
A fortuna pessoal de Isabel
tem sido alvo de especulações há anos. A revista Forbes já estimou seu
patrimônio líquido estando por volta de 450 milhões de dólares em 2010, porém
declarações oficiais do Palácio de Buckingham em 1993 afirmam que estimativas
de cem milhões de libras são "muito
exageradas". Jock Colville, ex-secretário particular e ex-diretor do banco
da rainha, o Coutts, estimou sua fortuna em 1971 em dois milhões de libras
(equivalente a por volta de 24 milhões nos dias atuais). A Royal Collection (que
inclui obras de arte e as Joias da Coroa) não é propriedade
pessoal de Isabel e é mantida em fideicomisso, assim como os palácios
ocupados, como o Palácio
de Buckingham e o Castelo
de Windsor, além do Ducado
de Lencastre, uma carteira de imóveis de valor estimado em 429 milhões de libras em
2013. A Casa Sandringham e
o Castelo
de Balmoral são propriedades pessoais da rainha. As
Propriedades da Coroa britânica – com arrendamentos de 7,3 bilhões de libras em
2011 – são mantidos em fideicomisso e não podem ser vendidos ou mantidos por
Isabel pessoalmente.
|
Estilo real de tratamento de
Isabel II do Reino Unido |
|
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Cifra real de Isabel
|
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Estilo alternativo
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·
21 de abril de 1926 – 11 de
dezembro de 1936: "Sua Alteza Real, a
princesa Isabel de Iorque"
·
11 de dezembro de 1936 – 20 de
novembro de 1947: "Sua Alteza Real, a princesa Isabel"
·
20 de novembro de 1947 – 6 de
fevereiro de 1952: "Sua Alteza Real, a princesa Isabel, Duquesa de
Edimburgo"
·
6 de fevereiro de 1952 –
presente: "Sua
Majestade, a Rainha"
Isabel mantém vários títulos e
posições militares honorárias por toda Commonwealth, é soberana de muitas
ordens e recebeu honrarias e prêmios por todo o mundo. Em cada um de seus
reinos possui um título distinto que segue a mesma fórmula: "Rainha da
Jamaica e de Seus Outros Reinos e Territórios" na Jamaica, "Rainha da
Austrália e de Seus Outros Reinos e Territórios" na Austrália, e assim por
diante. Nas Ilhas do Canal e
na Ilha de
Man, que são Dependências da Coroa e não reinos
separados, é conhecida como Duque
da Normandia e Lorde
de Man, respectivamente. Outros estilos incluem Defensora da Fé e Duque
de Lencastre. Ao conversar com a rainha, a prática é inicialmente se dirigir a ela
como "Sua Majestade" e depois como "Senhora".
De 21 de abril de 1944 até sua
ascensão, o brasão de Isabel consistia em um losango com o real brasão de armas do Reino Unido diferenciado
por um lambel de três pés, o pé central tendo a Rosa de Tudor e
o primeiro e terceiro tendo a Cruz de
São Jorge.[204] Ao
ascender ao trono, ela herdou o brasão de seu pai; esquatrelado, I e IV goles, três leões passant
guardant or empala (pela Inglaterra); II or, um leão
rampant dentro de um treassure flory-contra-flory goles (pela Escócia); III Azure, uma harpa
or com cordas argente (pela Irlanda). Na Escócia, os
quarteis I e IV são ocupados pelo leão escocês e o quartel II pelos leões
ingleses. Os timbres, lemas e suportes também são diferentes na Escócia. Isabel
também possui estandartes
reais e bandeiras pessoais para uso no Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia,
Jamaica, Barbados e outros.
Origem: WIKIPÉDIA



















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