segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

OS PORTÕES DE FERRO — SÉRVIA

  Publicado por Maria Brockerhoff

Danúbio Sérvio cava o maior canion — 134 km! — da Europa, entre os Montes Cárpatos e os Balcãs em direção à Romênia. Esta passagem chega a, apenas, 150m de largura em determinados trechos. É um legado histórico da idade da pedra, do império romano e de ocupações recentes.


Foto: Rainer Brockerhoff

Neste trecho do Danúbio, de Golubac (Голубац) até Negotin (Неготин), a correnteza muito forte, os redemoinhos, as corredores e enormes pedras submersas eram um tormento para os navegantes.

Foto: Rainer Brockerhoff
Desde Tiberius, 33 d.C., Trajano, 103 d.C. até 1834, houve frustrados projetos e tentativas para superar os obstáculos nesta travessia. Finalmente, em 1964, o megaprojeto das hidroelétricas “Portões de Ferro/Iron Gates”, entre Romênia e Iugoslávia, iniciou a construção de barragens e eclusas. O Danúbio foi transformado em um gigantesco reservatório: meio rio, meio lago.

Foto: Rainer Brockerhoff
Para os navios, não há mais impedimentos, mas tal interferência trouxe amargos resultados para a população ribeirinha, fauna e flora:
• a imediata interrupção da rota de reprodução para uma espécie de salmão;
• a bela ilha turca Ada Kaleh afundou-se para sempre, com sua mesquita e o mosteiro franciscano;
             • a parte antiga de Orșova, a cidade romena, foi inundada;
• a má distribuição das águas prejudica os países rio abaixo, tornando o delta, em certas épocas do ano, intransitável pelo nível baixo.
Fato histórico relevante é o massacre em Kragujevac (Крагујевац), a primeira capital, o maior centro educacional da Sérvia. Aqui, em outubro de 1941, adolescentes e professores do ginásio foram executados em massa, ainda que a população não tivesse participado de qualquer ataque aos servidores de Hitler. O acervo do Parque Memorial de Šumarice e as impressionantes esculturas são uma homenagem viva às vítimas e um veemente ALERTA!
Voltando à beleza presente da paisagem, as ruínas e o marco da ousada Ponte de Trajano. Aí, do lado romeno, a face de Decébalo esculpida recentemente.

Foto: Rainer Brockerhoff
Hoje, esta é uma rota de prazeres ao ar livre bem aproveitada por ciclistas, pescadores, veleiros... as vilas hospitaleiras servem rica culinária, fruto da influência secular de outros povos.

Foto: Rainer Brockerhoff



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