O Danúbio Sérvio cava
o maior canion — 134 km! — da Europa, entre os Montes Cárpatos e os Balcãs em
direção à Romênia. Esta passagem chega a, apenas, 150m de largura em
determinados trechos. É um legado histórico da idade da pedra, do império
romano e de ocupações recentes.
Foto: Rainer Brockerhoff
Neste trecho do Danúbio, de Golubac (Голубац)
até Negotin (Неготин), a correnteza muito forte, os
redemoinhos, as corredores e enormes pedras submersas eram um tormento
para os navegantes.
Desde Tiberius, 33 d.C., Trajano, 103 d.C.
até 1834, houve frustrados projetos e tentativas para superar os
obstáculos nesta travessia. Finalmente, em 1964, o megaprojeto das
hidroelétricas “Portões de Ferro/Iron Gates”, entre Romênia e Iugoslávia, iniciou a
construção de barragens e eclusas. O Danúbio foi transformado em um gigantesco
reservatório: meio rio, meio lago.
Para os navios, não há mais impedimentos, mas
tal interferência trouxe amargos resultados para a população ribeirinha, fauna
e flora:
• a imediata interrupção da rota de reprodução
para uma espécie de salmão;
• a bela ilha turca Ada Kaleh afundou-se
para sempre, com sua mesquita e o mosteiro franciscano;
• a parte antiga de Orșova, a
cidade romena, foi inundada;
• a má distribuição das águas prejudica os países
rio abaixo, tornando o delta, em certas épocas do ano, intransitável pelo nível
baixo.
Fato histórico relevante
é o massacre em Kragujevac (Крагујевац), a primeira capital, o
maior centro educacional da Sérvia. Aqui, em outubro de 1941, adolescentes e
professores do ginásio foram executados em massa, ainda que a população não
tivesse participado de qualquer ataque aos servidores de Hitler. O acervo
do Parque Memorial de Šumarice e as impressionantes esculturas são uma
homenagem viva às vítimas e um veemente ALERTA!
Voltando à beleza presente da paisagem, as
ruínas e o marco da ousada Ponte de Trajano. Aí,
do lado romeno, a face de Decébalo esculpida
recentemente.
Hoje, esta é uma rota de prazeres ao ar
livre bem aproveitada por ciclistas, pescadores, veleiros... as vilas
hospitaleiras servem rica culinária, fruto da influência secular de outros
povos.
© obvious: http://lounge.obviousmag.org/da_janela_das_eumenides/2015/12/os-portoes-de-ferro-servia.html#ixzz3tUjSe4Rl
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