Literatura:
Por Sílvia Marques
Enfim, não adianta todo
mundo querer falar bem, se expressar, se o número de ouvintes diminui cada vez
mais. Sem plateia não existe o artista. Sem aluno não existe professor. Sem
quem nos escute, não há maneira de nos revelarmos em toda a nossa plenitude. Quando
a gente desabafa sobre um problema, nos sentimos satisfeitos e aliviados quando
encontramos naquele que nos escuta , um ouvinte atento e dedicado. Caso
contrário, as sensações de abandono, vazio e solidão só se agravam.
Uma vez, vi no Facebook um post que
apresentava um pensamento muito interessante: muitas pessoas buscam por cursos
de oratória, pois querem aprender a falar bem. Existem ainda aqueles que
procuram cursos livres de teatro ou dança para aprenderem a interagir mais e
melhor. Para aprenderem a se comunicar e a se expressar com mais fluidez.
Não nego em nenhum momento o valor de falar
bem, de se expressar com clareza e tranquilidade. Só quem é tímido ou já foi,
sabe o quanto é complicado querer falar, mas não encontrar as palavras ou a coragem
para pronunciá-las por medo do julgamento.
Sabe-se que quem se expressa melhor têm mais
oportunidades tanto profissionais como afetivas. Mas por outro lado, está
faltando gente no mundo para ouvir. E é aí que entra o tal post do Facebook.
Nele, o autor afirma que não existem cursos para aprendermos a ouvir.
A gente se esquece, às vezes, de que no
processo comunicacional tanto o emissor como o receptor são elementos
essenciais. Se não há ninguém para escutar, não há comunicação. Ou se quem fala
não se faz entender, a comunicação foi ineficaz.
Enfim, não adianta todo mundo querer falar
bem, se expressar, se o número de ouvintes diminui cada vez mais. Sem plateia
não existe o artista. Sem aluno não existe professor. Sem quem nos escute , não
há maneira de nos revelarmos em toda a nossa plenitude. Quando a gente desabafa
sobre um problema, nos sentimos satisfeitos e aliviados quando encontramos
naquele que nos escuta , um ouvinte atento e dedicado. Caso contrário, as
sensações de abandono, vazio e solidão só se agravam.
Sim, ouvir é uma arte. É um dom raro e
precioso. Na nossa cultura, muito expansiva, de gestos amplos e extrovertidos,
escutar é um desafio e tanto porque a gente quer falar, mostrar, demonstrar
alto e em bom som. Os nossos dramas sempre são piores e mais complicados e
dolorosos do que os dos outros. As nossas alegrias e conquistas sempre são mais
coloridas e possuem mais glitter. Normalmente , a nossa vida , as nossas
experiências são sempre exemplos mais significativos dos temas sobre os quais
conversamos ao redor de uma mesa de bar ou em qualquer outro lugar menos
informal.
Muitos imaginam que ouvir é passivo. Mas
ouvir é uma atitude. É uma escolha. Uma escolha afetiva e racional
simultaneamente. Ouvir nada tem a ver com passividade, pois o silêncio também
comunica e a atenção, carinho e respeito que se dedica ao outro que fala pode
ser determinante para fazer quem fala resinificar seus dramas e questionamentos
de uma forma muito mais lúcida e leve. Quando
interrompemos a fala para criticar, julgar e preencher as lacunas do falante
com os nossos conteúdos, dificilmente estaremos ajudando de alguma forma quem
precisa ser ouvido.


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