Arte cinematográfica
Por fernando
camargo
E agora com vocês: Buster
Keaton, o grande rival de Charlie Chaplin! Dizem que o grande mágico Houdini,
vendo Keaton, ainda bebê de seis meses, filho de seu amigo Joseph, cair da
escada sem um arranhão, apelidou-o de "Buster" - o destruidor.
Nascido no coração do teatro de vaudeville*,
Keaton começou sua carreira artística participando com seus pais, num número
chamado Os Três Keatons, em que a grande piada era o desafio dos
pais em disciplinar uma criança mal-educada: algo que nos remete à antiga
questão de saber se é a arte que imita a vida ou a vida que imita a arte.
No caso de Buster, percebemos que a vida
imitou a arte e sua jornada fluiu naturalmente, entre tombos, quedas, sustos e
várias características comportamentais tão naturais a qualquer criança.
Tornou-se um dos maiores artistas e humoristas do cinema mudo e de sua época.
Aos 21 anos de idade, com o encerramento da
carreira de seu pai (que se tornara alcoólatra), Buster rendeu-se à atração que
tinha pelo cinema e mudou-se para Nova Iorque. Lá, encontrou um antigo
companheiro, o ator Roscoe "Fatty" Arbuckle, que o convidou para
trabalhar no filme "The Butcher Boy" (O Menino Açougueiro).
O sucesso desta dupla cômica foi tão grande
que logo foram convidados para estrelar uma sucessão de onze comédias. Keaton
passou a escrever seus próprios esquetes e a trabalhar como assistente de
direção nos filmes de que participava. Logo passou a escrever seus próprios
filmes.
Em 1920 Buster começou a dirigir seus primeiros
curtas. Tornou-se um ator de muitos recursos e de impressionante presença
cênica.
Mas a característica que ficou para sempre
associada a Keaton, uma de suas grandes inovações, é o fato de sua comédia se
basear num personagem impassível, que mantém as mesmas feições diante dos fatos
ocorridos. Isso explica os apelidos dados a ele pelos críticos: "O grande
cara de pedra" e "O homem que nunca ri". Buster percebeu que, ao
não modificar sua expressão, o espectador projetaria nele suas aspirações
sentimentais, sensoriais e morais.
Foi em 1928 que Keaton cometeu o que ele
mesmo considerou ser o seu "grande erro": vendeu seu estúdio de
produção para a MGM. Buster - que era o "destruidor" - tornara-se um
mero ator assalariado, sem nenhuma independência artística. Obrigado a
adaptar-se ao esquema de produção, Keaton envolveu-se com o álcool, tal como o
pai fizera antes.
Há quem diga que foi por perder o controle
sobre o conteúdo criativo de seus filmes e por ter que aceitar roteiros
impostos pelo estúdio que a poesia existente no coração de Keaton se apagou.
Buster passou a década de 1930 em relativa
obscuridade, escrevendo gags (corridas, quedas, fugas) para
vários filmes, inclusive alguns dos Irmãos Marx, como "Uma Noite na
Ópera" e "No Circo". Também fez aparições em filmes como
"Crepúsculo dos Deuses", de 1950, e "Mundo Maluco", de
1963.
Um dos momentos mais significativos da sua
carreira de ator aconteceu em 1952, quando participou do filme de Charles
Chaplin "Luzes da Ribalta". Nele, Keaton e Chaplin fazem um número de
dez minutos em dueto - dois velhos atores de "vaudeville" tentando
resgatar os bons tempos.
Em 1965, poucos meses antes de sua morte,
Buster Keaton protagonizou o único filme realizado pelo teatrólogo Samuel
Beckett, chamado simplesmente "Filme".
Além de trenzinhos de brinquedo, o que mais
atraía Buster Keaton era representar. Foi o que fez até 1966, quando morreu
vítima de um câncer no pulmão.






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