terça-feira, 3 de maio de 2016

ENCÁUASTICA



Arte pictórica: técnica encáustica



Encáustica (deriva do grego encaustico, gravar a fogo) é uma técnica de pintura que se caracteriza pelo uso da cera como aglutinante dos pigmentos e pela mistura densa e cremosa. A pintura é aplicada com pincel ou com uma espátula quente. É uma técnica muito resistente, bastando ver a quantidade de pinturas que resistiram ao tempo.





A encáustica é uma técnica conhecida e utilizada desde a Antiguidade. Os romanos e os gregos usavam-na muitoPlínio o Velho, descreve o uso da encáustica sobre o marfim, técnica que já então era considerada antiga. Ele também conta como é uma boa técnica para rematar a fabricação de um barco por ser muito dura e resistente ao sal e às intempéries.


Na região de Fayum, norte do Egito, descobriram-se retratos de grande força expressiva, em sarcófagos de madeira, realizados em encáustica, com datação dos séculos I e II. Também alguns murais descobertos em Pompeia são feitos com essa técnica.

No começo da Idade Média também é usada, e, mais tarde, no Oriente e no âmbito cristão, é o procedimento mais utilizado para elaborar os ícone. Um bom exemplo de ícone em encáustica é o da Virgem entronizada com o Menino Jesus do Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina do monte Sinai, no Egito. Durante os séculos seguintes e a partir do VIIIe do IX esta técnica cai em desuso até que reaparece nos séculos XVIII e XIX, especialmente na Inglaterra e França. O pintor francês Eugène Delacroix utiliza em muitas de suas obras algumas cores previamente misturadas com cera.
A encáustica também é usada por artistas do século XX, como Jasper JohnsMauricio ToussaintDiego RiveraGeorges Rouault, pelo pintor baiano Sante Scaldaferri, a partir de determinada fase de sua vitoriosa carreira que o consagrou como mestre imbatível no experimento e desenvolvimento daquela medieval.

A preparação era feita misturando-se cera com pigmentos coloridos a uma solução que se obtinha com as cinzas de madeira e água (solução alcalina de carbonato e bicarbonato de potássio ou de sódio). A esta combinação misturava-se cola ou resina. Esquentava-se a superfície a pintar e também as espátulas. Às vezes fazia-se primeiro a base gravando-a com a espátula quente e depois enchia-se a incisões com o preparado de pintura.

Nos últimos anos a técnica tem ganhado destaque, agora com instrumentos mais modernos, como braseiros elétricos e maçaricos. Os materiais também sofreram adaptações, sendo usadas a cera de abelha refinada, a cera de “damar”, a parafina e a cera de carnaúba. Os suportes usados são a parede de alvenaria, as placas de madeira e, atualmente, a tela.







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