Mundo: personalidade
(música)
Por Geraldo
Costa
A ficção
consiste não em fazer ver o invisível, mas em fazer ver até que ponto é
invisível a invisibilidade do visível.
Nina Simone foi uma das vozes
mais lindas que o universo já viu e também uma das principais ativistas na luta
pelos direitos dos negros.
Eunice Kathleen
Waymon mais conhecida pelo nome artístico Nina Simone (Tryon, 21 de fevereiro
de 1933 - Carry-le-Rouet, 21 de abril de 2003) pianista, cantora, compositora e
ativista pelos direitos civis norte-americanos. Cantora, pianista e compositora
ícone do jazz, mas trabalhou com música clássica, blues, folk, R&B, gospel
e pop.
Nina Simone foi uma
das artistas mais poderosas e influentes da sua época, com dúvidas,
inseguranças, incertezas e frustrações. É exatamente este lado humano que o
documentário What Happened, Miss Simone?, Dirigido por Liz Garbos, aborda com
tanto respeito. What Happened, Miss Simone? É um documentário obrigatório, não
apenas para quem gosta de música e se interessa pela trajetória de uma das
mulheres mais relevantes da história política e musical dos anos 60, mas também
para revelar todo o brilhantismo e sensibilidade de uma artista perseguida por
seus próprios medos e fantasmas, mas que teve a coragem de enfrentar de peito
aberto os preconceitos de sua época e os opressores de sua vida, em busca da
liberdade que tanto desejava.
What Happened, Miss Simone? -
Filmes Online 10
O nome artístico foi
adotado aos 20 anos, para que pudesse cantar blues escondida de seus pais, enquanto
treinava para tornar-se uma pianista clássica, em bares de Nova York,
Filadélfia e Atlantic City. "Nina" veio do espanhol de menina e
"Simone" foi uma homenagem à atriz francesa Simone Signoret. Foi à
sexta de oito filhos, sendo sua mãe uma ministra metodista e seu pai um
marceneiro, quando jovem foi impedida de ingressar no Instituto de Música
Curtis na Filadélfia, apesar de ter cursado piano clássico na severa Juilliard
School, em Nova York. Também se destacou por posicionar-se contra o racismo na
crescente onda que tomava os Estados Unidos na década de 1960. Devido ao seu
envolvimento, cantou no enterro de Martin Luther King.
Depois de frustrar-se
na tentativa de ser uma grande concertista através do conservatório, Nina
permaneceu algum tempo em Nova York até ir para Atlantic City e, nessa cidade,
trabalhando como pianista em um bar, cedia aos pedidos do dono para cantar
enquanto tocava piano. Adotou o nome Nina Simone, que deu início a uma carreira
bem-sucedida, com hits como:
FEELING GOOD,
DON'T LET ME BE MISUNDERSTOOD,
AIN'T GOT NO - I GOT LIFE,
I WISH I KNEW HOW IT WOULD FEEL TO BE FREE
HERE COMES THE SUN,
Além de My Baby Just
Cares For Me, que foi usado em uma propaganda televisiva para o perfume Chanel
Nº 5 em 1986, que ocasionou em um relançamento da gravação e na volta de Simone
às paradas musicais.
Em sua carreira,
interpretou canções de diversos estilos, indo do gospel ao soul, e também
compôs algumas canções. Foi uma das primeiras artistas negras a ingressar na
renomada Escola de Música de Juilliard, em Nova Iorque. Sua canção Mississippi
Goddamn tornou-se um hino ativista da causa negra. Fala sobre o assassinato de
quatro crianças negras em uma igreja de Birmingham em 1963. Ao se apresentar em
um evento militar em Forte Dix, Nova Jersey, em 1971, em plena Guerra do
Vietnã, Nina Simone deu voz àqueles que eram contrários ao conflito, quando
cantou um poema em que Deus é chamado de assassino, após 18 minutos de My Sweet
Lord, de George Harrison.
Nina esteve duas
vezes no Brasil, onde gravou "Pronta pra cantar (Ready to sing)" com
Maria Bethânia em 1990. Seu último show ocorreu em 1997 no Metropolitan. Morreu
enquanto dormia em Carry-le-Rouet em 2003, após lutar por vários anos contra o
câncer de mama.
PERÍODO DOS DIREITOS
CIVIS
Em 1964, ela mudou de
distribuidora fonográfica, passando da American Colpix para a gravadora
holandesa Philips, o que também significou uma mudança no conteúdo das
gravações. Simone sempre incluiu canções que remetiam à sua origem
afro-americana em seu repertório (como Brown Baby e Zungo no álbum Nina at the
Village Gate, de 1962).
BROWN BABY
ZUNGO
Em seu álbum de
estreia na Philips, Nina Simone in Concert (gravação ao vivo de 1964), Simone
pela primeira vez referiu-se à desigualdade social que prevalecia nos Estados
Unidos com a canção Mississippi Goddamn; sua resposta ao assassinato de Medgar
Evers e a explosão de uma igreja em Birmingham, Alabama, que matou quatro
crianças negras. A canção foi lançada como single e boicotada em alguns estados
do sul. Old Jim Crow, no mesmo álbum, referia-se às leis de Jim Crow.
MISSISSIPPI
GODDAMN
OLD JIM CROW
A mensagem de
direitos civis passou a estar presente nos repertórios de gravação de Simone,
tornando-se parte das duas apresentações. Simone apresentou-se e discursou em
muitos encontros pelos direitos civis, incluindo nas marchas de Selma a
Montgomery. Simone defendeu, durante esse período de direitos civis, uma
revolução violenta, contrastando com a abordagem não violenta de Martin Luther
King, e acreditava que os afro-americanos poderiam, através do combate armado,
formar um estado separado. De qualquer modo, ela escreveu em sua biografia que
ela e sua família viam todas as raças como iguais.
Gravou para o álbum
Pastel Blues (1965) a canção Strange Fruit, de Billie Holiday, uma canção sobre
o linchamento de homens negros no sul. Também cantou o poema Images, de William
Waring Cuney, em Break Down And Let It All Out (1966), sobre a falta do senso
de orgulho que viu entre as mulheres afro-americanas. Simone escreveu Four
Women, uma canção sobre quatro estereótipos diferentes de mulheres
afro-americanas, e incluiu a gravação em seu álbum de 1966 Wild is the Wind.
STRANGE FRUIT
BREAK DOWN AND LET IT ALL OUT
FOUR WOMEN
Simone mudou-se da
Philips para a RCA Victor durante 1967. Cantou Backlash Blues, escrita por seu
amigo Langston Hughes, no seu primeiro álbum pela RCA, Nina Simone Sings the
Blues (1967). Em Silk & Soul (1967), gravou a canção I Wish I
Knew How It Would Feel to Be Free, de Billy Taylor, e Turning Point. O álbum Nuff Said!
(1968) contém gravações ao vivo do Westbury Music Fair, de sete de abril de
1968, realizado três dias após a morte de Martin Luther King, Jr. Dedicou toda
a apresentação para ele e cantou Why? (The King Of Love Is Dead, uma canção
escrita pelo seu baterista, Gene Taylor, pouco após de receberam a notícia da
morte de King. No verão de 1969 ela apresentou-se no Harlem Cultural Festival,
no Harlem’s Mount Morris Park.
BACKLASH BLUES
I WISH I KNEW HOW IT WOULD FEEL TO BE FREE
NUFF SAID!
WHY?
Junto de Weldon
Irvine, Simone transformou a peça inacabada To Be Young, de Lorraine Hansberry,
em uma canção pelos direitos civis. Hansberry foi uma amiga íntima a quem
Simone creditou por cultivar a sua consciência social e política. Apresentou a
canção ao vivo no álbum Black Gold (1970). Uma gravação em estúdio foi lançada
como single e versões da canção foram gravadas por Aretha Franklin (em seu
álbum Young, Gifted and Black, de 1972) e por Donny Hathaway.
GIFTED AND BLACK
What Happened, Miss Simone? Documentário de uma cantora incrível
,mulher firme nas suas convicções de sua época fazia shows e pregava contra
descriminação racial , tanto que marcou sua vida e na sua carreira
,colaboradora dos Panteras Negras, militante em todo os sentidos, para que
gosta de uma boa historia , bem dirigido de jazz e blues ...What Happened, Miss
Simone?... Nina Simone era conhecida por ser uma mulher independente, decidida
e de pulso firme, com uma personalidade marcante quando estava em cima do
palco, mas principalmente quando estava fora dele.









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