Literatura: artigo
Por Marcel
Camargo
"Escrever
é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".
Rico é quem faz aquilo de que
gosta, quem está junto à pessoa que ama, sentindo-se amado todos os dias, quem
tem ao menos um amigo com quem possa contar, quem consegue ser grato à vida, à
família, aos amigos, quem preza, acima de tudo, o amor por si mesmo e por quem
caminha ali juntinho.
Hoje, em época de valores invertidos, o
status conferido à riqueza material é um chamariz que promove a ostentação
desmedida e a busca pelo sucesso a qualquer preço. Na ânsia de transparecer
posses monetárias, perdem-se, em muito, os traços de humanidade de que deveriam
se revestir as atitudes e comportamentos em sociedade. Confunde-se, assim,
posses com virtude, salário alto com realização pessoal, conforto material com
felicidade plena, o que nem sempre corresponde à realidade dos fatos.
Rico é quem faz aquilo de que gosta,
sentindo-se realizado ao trabalhar e tendo certeza de que o que produz é útil
não somente a si mesmo. Quem acorda feliz por ter o emprego em que as horas não
se arrastarão, quem sente prazer com aquilo que faz. Pobre é quem trabalha com
cara amarrada, sem olhar para o lado, sem saber o nome de ninguém das mesas ao
lado, por maior que sejam os seus proventos.
Rico é quem está junto à pessoa que ama,
sentindo-se amado todos os dias, sorrindo ao olhar nos olhos do amor de sua
vida, sempre encontrando as mãos certas para entrelaçar as suas. Quem valoriza
e é valorizado pelo companheiro, quem encontra em casa o bálsamo diário às
atribulações que a vida traz. Pobre é quem conquista alguém em razão de sua
conta bancária, tendo que sustentar aparências pelo resto de seus dias.
Rico é quem tem ao menos um amigo com quem
possa contar, alguém que jamais se negará a ajudar, a escutar, apoiar, ou seja,
um amigo de verdade. Quem também é esse amigo para o outro, dispondo-se sempre
a acolher junto a si tudo a pessoa traz, aconselhando, compartilhando alegrias
que se multiplicam e tristezas que se tronam então mais leves. Pobre é quem
vive rodeado de pessoas interesseiras e vazias, com quem não troca nada de útil.
Rico é quem consegue ser grato à vida, à
família, aos amigos, quem valoriza o que já alcançou na vida, sem se comparar
com ninguém. Quem leva a gratidão no coração, valorizando cada passo dado, a
saúde, os amores em sua vida, de forma a bastar-se a si mesmo, sem ter tempo
para invejar a vida alheia. Quem não tem tempo para prestar atenção naquilo que
não lhe diz respeito, pois se encontra ocupado em ser e em fazer gente feliz.
Pobre é quem tem tempo de sobra para deturpar a vida de todo mundo.
Rico é quem preza, acima de tudo, o amor por
si mesmo e por quem caminha ali juntinho. Quem não se deixa abalar por
miudezas, quem não sucumbe aos tombos, nem perde a fé e as esperanças que
motivam a sua jornada. Quem emana energia positiva, pois sabe que devemos trocar
positividade com gente do bem, afastando-nos de pessoas negativas e mesquinhas.
Pobre é quem semeia o ódio e a desesperança.
Infelizmente, muitas amizades, casamentos e
relacionamentos em geral vêm se pautando pela valorização dos bens e do que o outro
possa oferecer em troca em termos monetários. Na verdade, o que torna tudo
melhor é o amor que carregamos enquanto vivemos e nos relacionamos, pois tudo o
mais pouco durará, caso não seja construído sobre sentimentos verdadeiros.
Porque será sempre o amor que nos sustentará e nos dará a força necessária ao
ir em frente, mesmo que de ônibus, a pé, não importa. Quem ama e é amado,
afinal, já encontrou o maior tesouro de sua vida.


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