Arte
cinematográfica/Literatura
É uma
obra considerada pioneira e influenciadora do gênero de terror no cinema
mundial
Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens (no
Brasil, Nosferatu;
em Portugal, Nosferatu, o
Vampiro) é um filme alemão de 1922, em
cinco atos, dirigido por Friedrich Wilhelm Murnau.
O roteiro é uma adaptação do romance Drácula, de Bram Stoker, embora com nomes de personagens e lugares
alterados, pois os herdeiros do escritor não concederam aos produtores
autorização para adaptar a obra. Processado
por violação de direitos autorais, a
justiça ordenou a destruição das cópias do filme, mas algumas delas, entre as
muitas já distribuídas, permaneceram guardadas até a morte da viúva de Bram Stoker e
estão hoje em dia disponíveis em versões restauradas.
O filme teve uma refilmagem em 1979, Nosferatu: Phantom der Nacht, dirigida por Werner Herzog.
O longa narra a história de Conde Orlok, um vampiro dos Montes Cárpatos que se apaixona perdidamente por Ellen
e traz o terror à cidade dela, Wisborg. Nosferatu é
considerado um dos primeiros representantes do gênero de terror no
cinema, além de sua concepção visual ter exercido forte influência no gênero.
Ao mesmo tempo, com um protagonista demoníaco e seu caráter perturbado, a obra é considerada
uma representação fiel do cinema da República de Weimar.
Atores:
Max Schreck: Conde Orlok
Alexander Granach: Knock, corretor de imóveis
Gustav von Wangenheim: Thomas Hutter
Greta Schröder: Ellen, mulher de Hutter
Max Nemetz:
capitão do Empusa
Wolfgang Heinz:
suboficial do Empusa
John Gottowt: Professor Bulwer,
um paracelsiano
Georg Heinrich Schnell: Harding, armador
Ruth Landshoff: Annie, irmã de
Harding
Gustav Botz: Dr.
Sievers, médico local
Hardy von Francois:
médico do hospital
Albert Venohr:
marinheiro
Guido Herzfeld:
anfitrião
Karl Etlinger: colega de Bulwer
Heinrich Witte: guarda
do manicômio
Fanny Schreck: enfermeira
Um escritor relata como a peste assolou
a cidade portuária de Wisborg em 1838: o corretor de imóveis Knock recebeu de um tal de Conde Orlok
dos Montes Cárpatos a missão lhe encontrar uma casa em Wisborg. Visivelmente
empolgado com a oferta, encarrega seu jovem empregado Thomas Hutter com a
tarefa de ir diretamente aos aposentos do Conde para lhe oferecer uma casa em
frente à de Hutter. A casa a ser vendida, porém, está caindo aos pedaços.
Ellen, sua jovem esposa, desconfia e fica extremamente preocupada com os planos
de viagem de seu marido. Hutter deixa sua esposa aos cuidados de seu amigo, o armador Harding, e põe o pé na estrada. Antes de chegar
ao castelo do Conde, para relaxar em uma pensão. Os habitantes locais temem
Orlok e alertam o jovem rapaz quanto ao perigo de seguir em frente. O Livro
do Vampiro, um compêndio sobre sugar sangue, serve-lhe de alarme, mas, se
livrando de qualquer escrúpulo, segue viagem. Quando seu condutor em pânico
finalmente o abandona, Hutter é levado pela carruagem do Conde por uma
aterrorizante floresta e chega a seu sombrio castelo.
Conde Orlok não é menos obscuro que seu castelo: um
sujeito careca e raquítico. O jantar é preparado para Hutter. Quando ele
acidentalmente corta seu dedo com a faca, o Conde se lança com furor sobre o
sangue da ferida. O Conde insiste para que o jovem passe a noite no local. Após
uma noite pesada de sono, Hutter acorda com duas marcas de mordida em seu
pescoço. Quando o Conde, na noite seguinte, sem querer vê o retrato da esposa
de Hutter em um medalhão, aceita imediatamente a proposta do corretor e
assina o contrato sem pestanejar. Hutter começa a temer que desta forma está
praticamente convidando uma desgraça a sua cidade. Nesta noite, enquanto Hutter
dorme, Orlok se aproxima dele para sugar seu sangue. Mas, ao mesmo tempo, muito
distante dali, Ellen acorda desesperada em sua cama e estende sua mão. O Conde
desiste do sacrifício iminente.
Ellen cai num estado de transe e
começa a sonambular. Enquanto isso, Hutter vai explorando o
castelo de Orlok e encontra o Conde em seu sono cadavérico dentro de um caixão.
À noite Hutter vê o Conde colocar caixões cheios de terra dentro de uma
carruagem. O último caixão, vazio, serve de cama ao próprio conde. Hutter foge
do castelo, fica inconsciente e é salvo pelos locais, que tratam sua febre num
hospital. Durante isso, Orlok cuida para que os caixões sejam transportados de
jangada a Warna e colocados em um veleiro. O Empusa parte
então para Wisborg com Orlok a bordo, enquanto Hutter, já recuperado, se
apressa para chegar em casa por terra. A bordo do Empusa, os
tripulantes vão morrendo um a um de uma misteriosa doença. Quando os marujos
vasculham e abrem o caixão, uma horda de ratos escapam
dele. Quando somente o capitão e seu primeiro suboficial ainda estão vivos, o
Conde levanta de seu caixão. Os dois últimos sobreviventes por fim morrem, e
o Empusa chega como um navio fantasma ao porto de Wisborg.
Enquanto isso, Knock, em um manicômio por conta de seu apetite por moscas vivas,
regozija-se com a chegada do "Mestre". O Conde, com um caixão e seus
ratos, deixa a embarcação e se dirige à notívaga cidade. As autoridades locais
encontram no Empusa o diário de bordo relatando sobre a mortal
doença. Eles declaram estado de emergência, embora já seja tarde demais: a
peste se alastra em Wisborg trazendo incontáveis vítimas. Mesmo o paracelsiano Professor Bulwer, especialista em epidemias,
não descobre nenhum antídoto contra a praga. Knock foge e é perseguido por uma
multidão de pessoas que o culpam pela epidemia, mas consegue escapar e se
esconde fora da cidade.
Ademais, Hutter conseguiu chegar a Wisborg. Ele
traz consigo o "Livro dos Vampiros". Ellen lê que somente uma mulher
pura teria o poder de deter "o Vampiro", lhe oferecendo, para isso, o
próprio sangue para ser bebido e lhe causando "o esquecimento do Canto do
Galo". Enquanto isso, Orlok vai se acomodando na casa abandonada em frente
à de Hutter. Carente e encantado, consegue espiar o quarto de Ellen pela
janela. A moça por pouco não entra em colapso e manda Hutter procurar um
médico. À iminência de realizar seu desejo, Orlok se infiltra no quarto de
Ellen e se aproxima dela para beber seu sangue. Ao vê-la, cai em si e se
apavora com o fato de que o amanhecer se aproxima. Ao primeiro canto do galo,
assim como ao primeiro raio de sol, o vampiro se desfaz em cinzas. Hutter chega
com o médico ao quarto de Ellen e examina o braço dela, mas já é tarde: Ellen
está morta. Porém, como que por milagre, com o fim do vampiro, a peste também é
vencida.
Nosferatu foi
a única produção cinematográfica de 1921 da Prana-Film, fundada por Enrico Dieckmann e Albin Grau. Grau
teve a ideia de rodar um filme de vampiros. A inspiração para isso veio de uma
experiência de guerra dele: no inverno de 1916, um agricultor lhe disse que seu
pai fora um vampiro, um morto-vivo. Henrik Galeen pediu
a Diekmann e Grau que fizessem um roteiro baseado no romance Drácula,
escrito por Bram Stoker em 1897, embora os direitos autorais não tivessem sido
adquiridos. Galeen era reconhecido como especialista em filmes de suspense; ele
já havia trabalhado em Der Student von Prag (1913) e
escrito o roteiro de Der Golem, wie er in die Welt kam (1920). O
roteirista deslocou o enredo do romance para uma cidade portuária fictícia
chamada Wisborg e mudou os nomes dos personagens. Com isso veio também a ideia
de que foi um vampiro quem trouxe a Wisborg a peste contraída
dos ratos. Ademais, abdicou do personagem Van Helsing, caçador de vampiros. O
roteiro de Galeen foi poeticamente acompassado, mas sem ser tão fragmentado
como os livros do autor de forte influência expressionista Carl Mayer. Lotte Eisner se
refere ao roteiro de Galeens como "todo poesia, todo ritmo".
Dieckmann e Grau conseguiram como diretor Friedrich
Wilhelm Murnau, que, embora fosse diretor apenas desde 1919, havia já
conseguido grande reconhecimento de seu talento como cineasta com suas sete
primeiras produções. Grau, que havia estudado na Escola Superior de Belas Artes de Dresden, se encarregou de questões artísticas como
decoração e figurino. Para a trilha sonora, chamaram Hans Erdmann. O desconhecido ator Max Schreck, de Munique, foi convocado para o papel principal. Para os demais
papéis, foram convidados atores expressionistas ensinados por Max Reinhardt, como Greta Schröder, Gustav von Wangenheim e Alexander Granach, antigo colega de Murnaus na escola de artes
cênicas de Reinhardt, no Deutsches Theater.
As filmagens de Nosferatu começaram
com uma tomada ao ar livre em julho de 1921 em Wismar. Da torre da Igreja de Santa Maria, foi
rodada uma cena do bazar de Wismar com seu chafariz, de forma a contextualizar o
cenário de Wisborg. Outros locais que foram filmados incluem: o Portão d'Água, o
pátio da Igreja do Espírito Santo e o porto. Em Lübeck, o Salzspeicher, um
prédio abandonado outrora usado como depósito de sal, foi usado como a nova
casa de Nosferatu em Wisborg; os caixões foram carregados descendo a rua Depenau; a rua Aegidienkirchhof, bem
como outros lugares da cidade, também serviram de cenário. Outras tomadas
ocorreram em Lauenburg, em Rostock e na ilha de Sylt. Para
completar, a equipe viajou para os Montes Cárpatos, onde o Castelo de Orava serviu como o castelo caindo aos pedaços de
Orlok. Ainda outros lugares a serem filmados foram encontrados de imediato nas
redondezas; foi daí que surgiram, por exemplo, a cena em que Hutter para dar um
descanso em Dolný Kubín e
a cena em que a jangada parte com os caixões, rodada no Rio Váh. Para as cenas de montanhas, a equipe usou
os Tatras Altos, nas fronteiras entre Eslováquia e Polônia. De outubro a dezembro de 1921 foram então
gravadas as cenas internas no JOFA-Atelier do Berlin-Johannisthal e
ainda mais algumas ao ar livre na floresta de Tegel.
Para as filmagens, o cinegrafista Fritz Arno Wagner só tinha, por questões financeiras, uma única
câmera a sua disposição, o que justifica a existência de apenas um único
negativo das filmagens. O diretor seguiu o roteiro de Galeens a risca e
adicionou apenas algumas instruções a mão e anotações referentes ao
posicionamento da câmera, à iluminação e afins. De fato, doze páginas do
roteiro foram completamente reescritas por Murnau (estando ausentes em seu
exemplar as páginas correspondentes do texto de Galeens). Isso ocorre nas cenas
finais do filme, em que Ellen se sacrifica e o vampiro morre em meio aos
primeiros raios do sol. Murnau preparava minuciosamente seu trabalho;
contornos artísticos eram planejados para cada cena, de modo que fossem
correspondidos em sua posterior execução. De forma a compassar a encenação dos
atores, Murnau fez uso de um metrônomo.
Grandes esforços foram
aplicados para o lançamento do filme. Pouco antes da estreia, os responsáveis
publicaram na vigésima primeira edição da revista Bühne und Film ("Palco
e Filme") uma matéria com o resumo do filme, fotos de cenas e dos
bastidores, relatórios e análises da produção, além de um ensaio sobre Vampirismo. A pré-estreia de Nosferatu ocorreu
no dia 4 de março de 1922 no salão de mármore do Jardim Zoológico de Berlim na chamada Festa do Nosferatu,
para a qual foi pedido aos convidados o uso de roupas à moda Biedermeier. Um
prólogo escrito por Kurt Alexander,
inspirado em Vorspiel auf dem Theater do poeta alemão Goethe,
abriu a projeção do filme, enquanto a orquestra Otto Kermbach tocava
a trilha sonora à condução do compositor. Após a exibição de Nosferatu,
uma dançarina da Ópera Estatal de Berlim apresentou a peça Die Serenade ("A
Serenata"), escrita por Edmann. Em seguida, uma festa à fantasia atraiu diversos cineastas berlinenses,
como Ernst Lubitsch, Richard Oswald, Hanns Kräly, Johannes Riemann, Heinz Schall,
entre outros. Finalmente, a estreia oficial do filme ocorreu no Primus-Palast
no dia 15 de março de 1922.
Nosferatu enalteceu
o diretor Murnau aos olhos do público, e ainda mais com seu filme Der brennende Acker tendo sido publicado apenas alguns dias
depois. A imprensa cobriu Nosferatu com detalhes e ampla
predominância de elogios, embora alguns tenham criticado que a clareza das
imagens e sua perfeição técnica não fossem compatíveis com o gênero de terror. A revista Film-Kurier de 6 de março de
1922 criticou o fato do vampiro ter sido retratado de forma tão humana e ter
sido tão bem iluminado, o
que não teria um efeito realmente assustador: "O que pode ser uma vantagem
para filmes fiéis à realidade precisa ser evitado em filmes que tratam de
ficção. Neste caso, o artista deve priorizar a vagueza das nuances. Porque, com
uma iluminação muito boa, qualquer elemento aterrorizante perde de uma vez todo
seu terror."[11] A revista Der Film de
12 de março de 1922 disse que a imagem do vampiro seria mais impactante se os
outros atores aparecessem mais em primeiro plano e a silhueta do vampiro
aparecesse por trás deles.
A trilha sonora original
de Nosferatu foi composta por Hans Erdmann (1888-1942),
para ser executada ao vivo durante as exibições, como era comum na era do
cinema mudo.
Erdmann criou temas doces e melodiosos para as cenas que mostravam o amor
verdadeiro entre Hutter e Ellen, contrastando com a percussão pesada para os
momentos de tensão e o fortíssimo que acompanha os horrores a bordo do Empusa.
A maior parte das partituras de Erdmann, porém, se perdeu, restando apenas o
trecho que foi publicado sob o título Fantastisch-romantische Suite (1926),
além de anotações e instruções do compositor que permitiram reconstituições da
trilha .
Em 1996, James Bernard, autor
também da trilha de filmes de vampiros produzidos pela Hammer, compôs uma nova trilha para o relançamento
de Nosferatu em VHS .
O maestro e compositor alemão Pierre Oser criou
em 2012 uma
trilha para o filme, apresentada em exibições do filme no Rio de Janeiro e em
São Paulo[15] [16] .
O festival de teatro neozelandês NZ Fringe apresentou em 2012 o
projeto Transit of Venus vs Nosferatu, em que o filme foi exibido
acompanhado por uma versão adaptada do álbum conceitual Nosferatu (2009),
da banda de rock Transit of Venus[











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